DIA DO MÉDICO
Não podiamos deixar passar em branco este dia, afinal mais ou menos 60% de nossos noivos são médicos.
Desejamos tudo de bom a esses heróis que se esforçam para currar e amenizar nosso sofrimento físico. Que vocês sejam frios e quentes ao mesmo tempo, tendo o tempero certo para humanizar esta profissão tão maravilhosa e divina.
Gostaríamos de homenagear os médicos com a história do Dr. Hemmerson Magione.
UM MÉDICO DA FAMÍLIA E DA MULHER
“Quando eu crescer, quero ser daqueles médicos que ajudam as mulheres a ter filhos.”
O sonho de ser obstetra nasceu naturalmente dentro de Hemmerson Magioni e viveu nele durante toda a infância e adolescência. O desejo só foi alterado por algum tempo quando o bom goleiro pensou seriamente em se tornar jogador de futebol. “Mas nada me falou mais forte que a obstetrícia”.
Nascido de uma cesárea indicada “porque passou da hora…” por cinco quilômetros, nasceu mineiro. A mãe Neli morava em Baixo Guandu, Espírito Santo, às margens Rio Doce e foi à procura de um melhor atendimento na maternidade de Aimorés, Minas Gerais. Mas não terminaria por aí, os caminhos traçados para Hemmerson Magioni para o estado. Ele se formou em medicina pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, no Estado do Espírito Santo, mais veio para Minas Gerais fazer residência médica na Maternidade Odete Valadares. Depois se apaixonou e por aqui e se casou com a mineira Ana Carolina, com quem tem dois filhos.
INFÂNCIA
Ele se lembra que a sua infância se confundia com os movimentos da Estrada de Ferro Vitória Minas. “A gente brincava perto dos trilhos, mas era perigoso. O trem de ferro para mim significava viagens, aventuras, férias. Nele, íamos para Belo Horizonte ou para ver o mar de Vitória”.
Magioni tem uma foto muito curiosa, ele menino de seus 2 anos cercado por um muro de leites Ninho. Seu avô Fernando, dono de armazém, se orgulhava de ter dado para o menino todas aquelas latas, cuidadosamente guardadas, porque embaixo do rótulo havia uma paisagem de flores.
(…) Na década de 70, a empresa americana bombardeou o país com o leite em pó. O chique se tornou não amamentar. Uma situação muito diferente dos tempos de hoje, onde foi redescoberta a importância e os benefícios do aleitamento materno. Graças a Deus hoje em dia se tornou chique amamentar. Infelizmente poucas mulheres se preocupam em ter um parto normal, fisiológico e natural como se preocupam com o aleitamento materno. Sonho com o dia em que a mulher brasileira se preocupará tanto com o tipo de parto, quanto ela se preocupa com a amamentação”.
Atualmente, ele dá assistência no Banco de Leite da Maternidade Odete Valadares e é referência em complicações no aleitamento materno, quando a mulher tem fissuras, abcessos etc. Seus filhos foram amamentados exclusivamente até os seis meses.
O MÉDICO DE FAMÍLIA
Uma lembrança é particularmente importante para Magioni. As visitas do médico da família, Dr. Moacir. “Era um médico muito respeitado pela minha família. Uma referência, símbolo de competência, profissionalismo, caráter e educação. Eu ficava admirado de como as pessoas gostavam dele. Ele nos atendia em nossas casas e em nossas camas”.
Essa cálida lembrança está fazendo com que ele adote comportamentos absolutamente inusitados. As suas pacientes de consultório estão recebendo visitas em casa. “Elas estão adorando. Faço as visitas no pós-parto e as oriento no aleitamento. Está maravilhoso e mais maravilhoso para mim. Eu vivo a sensação que eu vivi quando criança. Recebo o carinho das vovós, como um bolinho com a família.” Ele relata que uma das avós contou para todos os vizinhos sobre a visita do médico à família, como antigamente.
O NASCIMENTO DE UM NOVO OBSTETRA
Dr. Hemmerson Magioni estudou Medicina na Santa Casa de Misericórdia de Vitória e veio para Belo Horizonte no ano 2000 para fazer residência na Maternidade Odete Valadares. Nesta época, conheceu Dr. Sandro Luis Ribeiro e Silva – também integrante do Núcleo Bem Nascer. “Eu tive uma formação tradicional, sem muitos engajamentos filosóficos e fiz formação em gravidez de alto risco. Fazia uma obstetrícia bem tradicional até que cheguei ao Hospital Sofia Feldman. Aí, tudo mudou. Fui parido duas vezes. Uma vez por minha mãe e outra vez pelo Sofia. O Sofia pariu outro obstetra. Eu era um obstetra de formação arrogante e um pouco prepotente, alguns diriam, até desumano. Eu não nasci com essas convicções. Eu fui ensinado. Como fiz residência na Maternidade Odete Valadares- especializada em partos de riscos – achava que o nascimento era algo complexo, cercado de possíveis complicações”.
“O nascimento no Sofia Feldman é diferente, mais parecido com o tipo de assistência oferecida na Europa, como pude observar pessoalmente quando estive por lá. Uma assistência multidisciplinar, com a presença da psicóloga, doula, enfermeira obstetra. É voltado para atender ao nascimento como um ato natural e fisiológico da vida reprodutiva e sexual da mulher.”
A vida de Hemmerson circula entre seus três amores, sua família, seu trabalho e a música. Pode ser facilmente encontrado na Maternidade Odete Valadares e no Hospital Sofia Feldman – do SUS – e no consultório da rede suplementar, na Maternidade Santa Fé. Apaixonado por Jazz e Bossa Nova, nos seus momentos de folga freqüenta as melhores casas de música ao vivo de Belo Horizonte.
Vivendo em dois mundos tão diferentes, o setor público e o setor privado, Hemmerson garante que “é possível sim manter as taxas de cesariana abaixo de 30% na rede particular. O meu trabalho é o mesmo, a minha assistência não muda no setor público ou privado. Tenho um índice de 76% de partos normais.”
O obstetra acentua também que são necessárias mudanças importantes no modelo brasileiro de atenção ao nascimento. “Mudanças tanto no sistema público quanto no sistema privado são fundamentais para a melhoria da qualidade de assistência ao nascimento no Brasil.” Segundo ele, em pesquisa realizada no Brasil, se comprovou que a maior parte das mulheres iniciam o pré-natal desejando parto normal (80%), mas mudam de idéia no decorrer da gestação (30%). Ele pergunta: “o médico influencia o desejo da mulher de cesárea? Creio que não é só médico que influencia, mas a patroa, a novela, a amiga, a mídia é claro, e o passado e um presente de má assistência ao parto no Brasil…”
COMO ESSE NOVO MÉDICO ACOMPANHA OS PARTOS?
“Minha assistência é voltada para o atendimento centrado na mulher. Isso deveria ser o correto significado de “parto humanizado. Se a mulher vai escolher dar à luz de cócoras ou na água, quanto tempo ela vai querer ficar com o bebê no colo após seu nascimento, quem vai estar em sua companhia, se ela vai querer se alimentar e beber líquidos, todas essas decisões deverão ser tomadas por ela, protagonista de seu próprio parto e dona de seu corpo. São decisões informadas e baseadas em evidências científicas.”
“Não faço de rotina episiotomia, tricotomia e limpeza intestinal. Estimulo o parto em posição vertical e utilizo ocitocina artificial, o soro, de maneira muito restritiva. Ofereço anestesia de acordo com a vontade da mulher – pouca anestesia que a deixa com a sensação prazerosa da passagem do nenê. Hoje em dia tenho sido muito conservador quanto ao rompimento da bolsa amniótica, realizo esse procedimento em poucos casos quando ele se faz realmente necessário. Mas esses dias me aconteceu uma situação muito interessante, a parturiente sentiu com as mãos a bolsa, no momento da expulsão e me perguntou se ela poderia arrebentar a bolsa. Eu respondi que sim, afinal a bolsa é dela. Ela disse que sentiu uma sensação muito agradável e prazerosa com a água do líquido amniótico escorrendo entre suas pernas.”
ASSISTÊNCIA HUMANIZADA INCONDICIONAL
Hemmerson Magioni está solidário com uma situação muito delicada na vida de uma mulher, o abortamento. Ele está acostumado a atender mulheres vítimas de aborto e suas seqüelas. “Acho que o aborto, seja ele provocado ou espontâneo, merece uma assistência humanizada e nenhum julgamento. E quando indicada a curetagem, deve também ter o direito a um acompanhante”. Isso não acontece atualmente no serviço público. “O casal que abortou merece respeito e o mesmo humanismo do atendimento a um parto. A mulher chega ao hospital e é logo levada para a curetagem. Acho que o correto seria compartilhar com a mulher os caminhos e possibilidades a partir desse momento. Oferecer apoio emocional, privacidade, respeito e um acompanhante se sua escolha.”
O PAI
“Ser pai é a melhor coisa do mundo. Um sonho, um prazer. Como eu não tive um pai presente, quero ser o melhor pai do mundo para meus filhos”.
Hemmerson Magioni viveu a gravidez de Ana Carolina somente como pai e não como médico “e fui feliz por isso, fui marido, fui `doulo`e bastante presente com ela durante toda gestação. Durante a cirurgia não questionei o procedimento, a decisão foi da médica, fiquei com ela abraçadinho o tempo todo. E por isso não fiquei frustrado com a cesariana, causou mais frustração nela que em mim, porque me vê sempre envolvido com partos normais.”
O QUE É BEM NASCER?
“Bem Nascer é viver o nascimento de maneira plena, ajudar a mulher a ter uma experiência mais humana, feliz e prazerosa”.
http://www.nucleobemnascer.com.br/drhemmersonmagioni
